Page 17 - JORNAL GIZ NEGRO: JUNHO DE 2022
P. 17
junho 2022
Monólogo do Cavalete de S. Vicente
Ai… como o tempo vai passando. Fui
erguido em 1934 com 38 metros de altura
e já vi e passei tantas coisas neste
pequeno sítio chamado S. Pedro da Cova.
Os mineiros dessa época, designaram-me
por “Cavalete do Poço de São Vicente”
mas, atualmente, as pessoas costumam
tratar-me só por “Cavalete de São
Vicente”. Antigamente, eu era um dos
utensílios mais utilizados na exploração
mineira aqui na zona, mas agora sou só
um monumento na paisagem.
A minha querida freguesia de S. Pedro
da Cova, desde o século XIX foi muito
importante na exploração mineira a nível
nacional; eu contribuí para esta se tornar
num centro industrial de inquestionável valor para a economia nacional. Eu ajudei
bastante na exploração mineira, devido ao meu contributo na extração de carvão.
Neste local, vi muitos homens a perderem a vida, devido à falta de condições de
segurança e ao trabalho árduo dos mineiros. A poeira que as minas libertavam
causavam muitas doenças pulmonares e cardíacas, o que mais tarde podia
agravar-se profundamente, levando-os à morte. Mas esta era a única fonte de
subsistência que eles tinham para alimentar as famílias e dar o melhor que tinham
aos filhos e às gerações futuras.
Ao longo do tempo, fui perdendo o meu valor a nível económico porque a
exploração mineira deixou de ser sustentável economicamente. Então deixei de
ser utilizado, mas continuei intacto e firme. Apesar disso, as pessoas que passavam
na rua ainda apontavam para mim e diziam aos mais novos que eu tinha sido
muito importante para as gerações anteriores.
Devido ao meu estado de insegurança, fruto da oxidação dos meus elementos
estruturais, a comunidade de S. Pedro da Cova organizou um "Movimento Cívico
em Defesa do Património Histórico-Cultural de S. Pedro da Cova", afirmando
querer proteger-me. Graças ao esforço desta comunidade, em 2010 fui classificado
como monumento de interesse público, devido ao meu valor histórico, técnico-
construtivo e social.
Caros amigos, tenho que me despedir, mas espero que me venham visitar para
ouvirem mais histórias das minas e dos mineiros que aqui trabalharam.
Alexandre Lemos, 8.ºA
Giz Negro / Jornal Escolar 17

